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A cultura de investir em segurança tomou mais fôlego no Brasil nas últimas
décadas. Reservar parte dos gastos com esse item tem aos poucos deixado de
significar despesa para ganhar o status de investimento (como realmente é). Seja
no aspecto pessoal ou profissional, segurança é um tema naturalmente inserido no
dia-a-dia de pessoas e também de empresas de qualquer porte.
Para
diminuir a vulnerabilidade dos bens físicos, contratamos seguros de vida, de
saúde, do carro, do imóvel e, se for o caso, da empresa. Mas a vida hoje obriga
a todos a proteger outros tipos de bens, os digitais. Pesquisas mostram que
quase metade das pequenas e médias empresas não investe em segurança, mesmo
sabendo das brechas abertas para invasões.
Num primeiro momento, há o
engano de achar que, baixando um bom antivírus, um anti-spam e apagar e-mails
suspeitos, estamos mais protegidos. Parece improvável que alguém consiga chegar
tão facilmente nos nossos dados mais preciosos sem dificuldade. Mas não é. A era
da informação, ao mesmo tempo em que fascina, exige a proteção de dados,
qualquer que seja o porte da empresa. É um ativo precioso, essencial para a
criação de estratégias e tomada de decisão, considerado sinônimo de poder. Deve,
sim, estar facilmente acessível quando necessário, mas apenas por quem tem a
devida permissão.
O ambiente virtual com pouca segurança pode trazer
danos irreparáveis e derrubar conquistas importantes cultivadas por anos. A
necessidade de proteção, embora pareça óbvia, ainda sofre alguma resistência na
prática. Os motivos que as pequenas e médias apresentam para justificar o
paradoxo de não guardar a sete chaves seu patrimônio são falta de dinheiro, de
tempo ou de equipe especializada. É justamente nesses aspectos que o outsourcing
surge como uma alternativa de ampla funcionalidade e eficácia.
Segurança
tem que estar acoplada, não só à infra-estrutura, mas em toda a estratégia de TI
para o negócio. Deve fazer parte do básico contido no service desk. Quando
confiada a uma equipe especializada, gera economia de tempo aos executivos, que
ficam livres para focar no “core” de seu negócio. Os gastos com segurança também
não dispensam a efetiva participação do gestor terceirizado (mesmo incluindo
licenças caras de uso de programas). É ele quem melhor define a relação
custo-benefício para cada caso.
Por essas razões, a responsabilidade
pela segurança não deve ser atribuição do usuário comum. Além do mais, ataques
ou invasões de dados também podem acontecer internamente. A competência esperada
do parceiro para o outsourcing envolve empenho e tempo para conhecer
profundamente o produto ou negócio de seu cliente e o parque tecnológico
existente.
Avaliando os riscos, ele tem condições de sugerir medidas que
evitem e corrijam problemas na segurança de dados. Entre elas, monitorar a
licença de antivírus, conhecer e se atualizar sobre os melhores sistemas ou
criar políticas de segurança e rastreabilidade de dados e do uso da tecnologia
que as equipes fazem.
No Brasil, de janeiro a março deste ano, foram
reportados mais de 200 mil incidentes de segurança na internet ao Cert.br, grupo
do CGI.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil), número igual ao total de
registros do ano passado. Com certeza, como nenhuma companhia quer engrossar
esses índices, a cultura da segurança tende a seguir seu caminho enfrentando
cada vez menos resistência. Afinal, temos que saber como proteger nossos
dados, que com a devida “pitada” de inteligência se transformam em informação.
*Edmilson Rosa é consultor de gestão de processos, especialista em
governança de TI e diretor da P2HE www.p2he.com.br, empresa que oferece
consultoria e soluções de TI. |
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