| O paradoxo da Segurança - parte 2 |
|
|
Existe segurança no Internet Banking? O desafi o da Segurança da Informação não
está apenas na prática de colaboração entre os bancos, a polícia, as operadoras,
o governo e a sociedade. O principal obstáculo origina-se do caráter ambivalente
da rede, a internet. Mais da metade de todas as brechas de segurança descobertas
no ano de 2008 estavam relacionadas a aplicativos web. E, detalhe: mais de 74%
não tinham correção.
Até o final de 2008, 53% de todas as
vulnerabilidades descobertas durante o ano não receberam correções do
fornecedor. Além disso, 46% das vulnerabilidades de 2006 e 44% das de 2007
continuavam sem correção disponível até o fi nal de 2008. Os números sinalizam
que a velocidade da indústria em oferecer serviço ao internauta é maior que a
oferta de segurança. É por isso que a maioria dos especialistas garante que os
bancos são extremamente seguros, porém, o meio em que se trafega quase 7 bilhões
de transações bancárias no País é vulnerável.
Além disso, enquanto não
houver consenso e bom senso na corrida competitiva para oferta de novos recursos
para internet banking, a Segurança da Informação também estará inserida no caos
da internet.
Mas não é só o caos e a ambivalência que caracterizam a web.
Outra qualidade da internet é seu potencial de escala. O Centro de Estudos,
Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT.br) registrou,
somente até março de 2009, quase 174 mil tentativas de fraude eletrônica. O
volume já é maior que o total das 140 mil tentativas de fraudes eletrônicas
registradas durante o ano de 2008.
É bom ressaltar que o volume inclui
todo tipo de fraude, inclusive de direitos autorais, que representam a maioria
dos incidentes registrados pelo CERT.br. Os worms, porém, também seguiram o
ritmo: enquanto no ano de 2008, o CERT.br registrou 32,9 mil incidentes de
worms, a propagação de códigos maliciosos atingiu 31.045 incidentes registrados
em março deste ano pela entidade.
“As ameaças não vão acabar nunca”, diz
Cesar Augusto Faustino, coordenador da subcomissão de prevenção a fraudes
eletrônicas da FEBRABAN. Ele ainda admite que os ataques cresceram de forma
exponencial desde 2006, mas garante que as fraudes reduziram muito desde àquela
época. Ou seja, a tentativa é imensa, mas a execução nem tanto.
A
Febraban informa que as fraudes caíram 27% em termos de valor fi nanceiro e 29%
em número de ocorrências entre janeiro e outubro de 2008, enquanto os ataques
aumentaram 20%. “Podem atacar o quanto quiserem, mas nós não vamos deixar que
tenham êxito”, comenta.
Faustino ainda acrescenta que apenas 0,001% do
total de transações feitas pelos clientes são fraudadas. Ou seja, o volume é
baixo, mas o impacto desses crimes representa perdas significativas para
instituições fi nanceiras e também para as vítimas, que são usuárias do serviço.
|