| O paradoxo da Segurança - parte 1 |
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As tentantivas de fraudes eletrônicas já atingiram o total do volume do ano de
2008 somente até o mês de março de 2009. Não há dúvida sobre a evolução e
crescimento do crime cibernético. Por outro lado, os bancos investem R$ 1,5 bi
por ano em segurança e conseguem barrar até 99,999% das fraudes, mas as perdas
são significativas. O que fazer diante desse paradoxo?
São 637 milhões
de web browsers desatualizados que existem na rede. Estima-se que 30% deles são
infectados. Relatório de Inteligência e Segurança, realizado pela Microsoft,
aponta que mais de 443 mil máquinas foram infectadas no Brasil em 2008. Mais de
43% delas foram contaminadas com ameaças para roubo de identidade (logins e
senhas) de bancos. Tratam-se dos trojans Win32\bancos e Win32\banker, que já
lideravam o “ranking” das principais ameaças no passado.
Outra categoria
de ameaça digital identificada no relatório são os worms (notifi cações de
atividades maliciosas relacionadas com o processo automatizado de propagação de
códigos maliciosos na rede), que representaram 32% de todas as ameaças - ou
aproximadamente 267 mil computadores. Das 10 principais ameaças identifi cadas
no Brasil, nove são malwares (trojans e worms) e a outra é um software
potencialmente indesejado (adware). No ranking mundial de ataques de malwares,
liderado pela região da Servia e de Montenegro, o Brasil ocupa a 3ª colocação.
Esses números representam apenas um pedaço do cenário que retrata as
vulnerabilidades do canal internet. A sensação quando se analisa tais
informações é de que sem a responsabilidade do usuário não haverá combate ao
crime cibernético. Não é por acaso que o delegado titular da Delegacia de Crimes
Praticados por Meios Eletrônicos, do DEIC (Departamento Estadual de Investigação
sobre o Crime Organizado), José Mariano de Araujo Filho, desabafa: “o cliente
comete o mesmo absurdo de cinco anos atrás, enquanto o sistema bancário
brasileiro é um dos mais avançados do mundo em termos de segurança”. Ele ainda
reforça: “Dou nota zero para cliente bancário porque ele não cuida da segurança.
Como você vai policiar quem não quer ser policiado?”, questiona.
Por
outro lado, 52% dos brasileiros estão “seriamente preocupados” com a segurança
das transações na Internet, notadamente no que tange às compras ou operações
bancárias, segundo levantamento feito pelo Índice de Segurança Unisys Brasil com
1500 pessoas, durante o mês de março de 2009. Detalhe: os bancos investem R$ 1,5
bilhão por ano em segurança com foco nas fraudes eletrônicas.
Francimara
Teixeira Garcia Viotti, do Banco do Brasil, explica que o esforço da instituição
para prevenir a clonagem de cartão no ATM, segundo a executiva onde ocorre 80%
das tentativas, retrata o desafi o de antecipar à evolução do crime. “Primeiro,
adotamos o código de acesso com letras e conseguimos reduzir a fraude. Bastou
três meses para incidência aumentar e exigir uma nova ação: letras randomizadas
nas teclas, que também foi superado pelos criminosos. Agora, desenvolvemos o
código silábico”, revela.
Parece até um beco sem saí da, mas basta reunir
os fragmentos dessa cadeia de vítimas do ataque cibernético para entender o
paradoxo da Segurança da Informação.
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