| A ameaça que vem pelo e-mail
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Quem já não abriu seu computador e encontrou um desses na caixa de e-mail? A maioria é lixo eletrônico, obrigando o internauta a garimpar recados sérios no meio de tanta mensagem não-solicitada.
Com o período para entrega da declaração do Imposto de Renda (IRPF) em andamento - o prazo termina em 30 de abril - , o alvo do momento é o contribuinte.
- Fraudadores tendem a aproveitar os eventos do cotidiano dos usuários. Aliar o nome de uma instituição conhecida a um evento que está em destaque é uma das técnicas para aplicação de golpes - afirma Cristine Hoepers, analista de segurança do Cert, grupo especializado em segurança mantido pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil.
Para fisgar vítimas, fraudadores virtuais intensificam o envio de e-mails falsos com o nome da Receita Federal. E um simples clique em links dessas mensagens pode ser a senha para instalação de um programa espião no computador, que dará mais dores de cabeça do que o preenchimento dos formulários do Imposto de Renda.
Na página de abertura de seu site na internet, a Receita tratou logo de publicar um alerta de que "não envia e-mails sem autorização do contribuinte nem autoriza parceiros e conveniados a fazê-lo em seu nome".
O órgão, no entanto, é só um dos tantos usados pelos fraudadores virtuais - os nomes do Ministério Público Federal e do Tribunal de Justiça do Estado são indevidamente apropriados em falsas intimações judiciais enviadas por e-mail.
As ações dos fraudadores hoje são mais discretas
Inicialmente, as ameaças entregues pela internet eram vírus que dependiam de o usuário aceitar um arquivo anexo ou ainda mensagens de apelo para que o internauta fornecesse seus dados pessoais. Como os usuários aprenderam a não deixar entrar arquivos desconhecidos em seus computadores ou fornecer senhas, as ações hoje são mais discretas, e normalmente envolvem a tentativa de golpe financeiro.
O roubo de dados, como senhas bancárias, ocorre especialmente por meio de programas espiões instalados na máquina do internauta quando ele clica em algum link do e-mail mal-intencionado.
Para isso, as mensagens costumam conter temas candentes, que despertem o interesse de quem recebe.
- Só de passar por um site infectado o computador pode ser contaminado. Mas quase sempre o usuário contribui para a fraude, porque vê algo que lhe parece interessante e termina clicando - afirma Eduardo DAntona, diretor da Panda Security, especializada em softwares de segurança.
A legião de novos usuários de internet no Brasil - com o bom momento econômico e a facilidade de crédito, somente no ano passado foram vendidos 10,7 milhões de computadores no país - pode contribuir para elevar a eficácia dos golpes virtuais.
Lúcio Costa Almeida, da Symantec, empresa fabricante de softwares de segurança, lembra que esses novatos ainda estão descobrindo o mundo virtual e normalmente são mais vulneráveis aos ataques.
Se os novos internautas tendem a ser mais ingênuos para se defender, o mesmo não se pode dizer dos criminosos virtuais brasileiros.
O país com maior número de instituições bancárias visadas pelos cavalos-de-tróia, tipo de software espião, é o Brasil, que também é um dos maiores produtores dessa praga eletrônica.
- Isso ocorre porque o país foi pioneiro na evolução de internet banking e hoje é referência para todo o mundo nessa área - afirma Gabriel Menegatti, diretor da F-Secure, empresa de segurança digital. |